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18/02/26

Entre o Amor e os Limites

 Escrevo essa carta não para discutir o passado, mas para aliviar o meu coração.

Durante o seu crescimento, eu estive presente como pude e como soube. Cuidei, eduquei, apoiei, investi tempo, energia e amor. 

Fiz isso porque te amava — e continuo amando. 

Nunca foi obrigação. Sempre foi escolha.

Se em algum momento eu falhei, foi dentro das minhas limitações humanas, não por falta de amor. Quem cuida também erra. 

Quem ama também aprende.

Foi difícil perceber a distância entre nós e, principalmente, sentir que a imagem que você tem de mim não corresponde à intenção que sempre guiou minhas atitudes. 

Ainda assim, respeito o seu momento, sua fase e as influências que fazem parte da sua caminhada.

O que eu não posso fazer é aceitar ser vista apenas quando há necessidade material. 

Relações verdadeiras são construídas em presença, não em conveniência.

Eu não desejo conflito. Não desejo que você escolha lados. 

Só desejo que, um dia, você consiga olhar para nossa história com maturidade e equilíbrio, lembrando não apenas dos possíveis erros, mas também do cuidado, das renúncias e do carinho que existiram.

Meu amor por você não depende de proximidade, mas meu respeito por mim mesma depende de limites.

Se um dia quiser se aproximar de forma sincera, meu coração estará aberto.

Mas ele também estará em paz, independentemente disso.

Com amor,

🌿🌷🌿🌷🌿

Mary Marques



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16/01/26

Quando eu partir...

 Quando eu partir, não digas que me fui cedo. A vida não se mede em anos, mede-se em intensidade e  eu existi o bastante para ser inteira.

Ao longo da jornada, cruzamos risos que revelaram verdades, dores que depuraram o espírito e silêncios que, mesmo mudos, disseram tudo.

Os abraços, os gestos, os desabafos e as bênçãos, tudo isso foi o tecido invisível que costurou a minha presença neste mundo.

Quando eu partir, lembra-te de que nenhum dia foi desperdiçado. 

Vivi cada instante como quem sabe que o tempo é um mestre impiedoso, porém generoso com quem o honra.

E partirei grata, não pelos anos que tive, mas pela profundidade com que pude habitá-los.

Aliás eu te pergunto, participou de algum momento da minha existência?

Sentiu meu abraço caloroso ou até mesmo desabafou comigo?

Ou talvez ainda eu desabei com você?

Pois é, vivi a vida!

Mary Marques



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27/12/25

Dói quando a presença só chega quando a vida já virou silêncio.

Dói quando a presença só chega quando a vida já virou silêncio.

Há um vazio difícil de explicar quando percebemos

que, para nos ver vivos, é preciso quase implorar — negociar tempo, justificar sentimentos, pagar a distância.

Mas para a morte, não há obstáculos: não falta dinheiro, não falta esforço, não falta agenda.

A ausência, curiosamente, só pesa quando já não há mais quem a sinta.

Isso não fala sobre amor inexistente, mas sobre prioridades confusas. Muitos só entendem o valor da presença quando ela já não pode mais ser entregue.

A morte impõe uma solenidade que a vida, injustamente, não recebe.

Como se o cotidiano fosse eterno e o adeus, urgente.

O pensamento machuca porque revela uma verdade

incômoda: amar vivo exige escolha, renúncia, responsabilidade.

Honrar os mortos é mais simples — não exige convivência, nem paciência, nem entrega diária.

Talvez a maior tragédia não seja faltar ao enterro, mas faltar à vida enquanto ela ainda chama.

Porque no fim, o que mais dói não é quem partiu… é quem ficou esperando por quem ainda podia ter vindo.

 Mary Marques




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18/12/25

Será que a transformação só acontece quando a exaustão chega?

 Às vezes me pergunto se o ser humano precisa mesmo levar o corpo ao limite para conseguir mudar a mente.

Será que a transformação só acontece quando a exaustão chega, quando o cansaço cala o pensamento crítico e o corpo pede arrego?

Existe uma linha tênue — e perigosa — entre superação e quebra.

Quando o corpo está exausto, a mente fica vulnerável. E mente vulnerável é terreno fértil para ideias prontas, discursos sedutores e “verdades” empacotadas como solução rápida. Não é evolução… é rendição disfarçada de progresso.

Muitos movimentos que surgem como “moda” vendem a ideia de que o sofrimento extremo purifica, acorda, liberta. Mas até que ponto isso não é só manipulação elegante?

Quando alguém está no limite, ela não escolhe — ela aceita. Não reflete — absorve. Não decide — segue.

A verdadeira mudança não deveria nascer do colapso, mas da consciência.

Não do corpo quebrado, mas da mente desperta.

Não da pressão coletiva, mas do silêncio interno que questiona.

Transformação real não precisa gritar, nem humilhar o corpo para existir.

Ela acontece quando há lucidez, autonomia e coragem de pensar por conta própria — mesmo indo contra a maré.

Talvez o maior ato revolucionário hoje não seja aguentar mais…

Mas pensar melhor.

Mary Marques



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05/12/25

Sobre a Árvore de Natal...

 Todos sabemos que a árvore de Natal é simbólica, claro.

Mas, quando somos crianças, nada disso importa: a gente vibra, fica elétrico só de ver aquela árvore iluminada dentro de casa. E se tiver presentes embaixo então… aí o coração dispara! A expectativa, a curiosidade — qual será o meu? — tudo vira magia pura.

Lembro que, na minha infância, houve um ano especial. A árvore estava montada e havia presentes para todos. Minha mãe, com seus nove filhos, comprou cada presente ao longo do ano, juntando carinho em forma de pacotinhos.

Aquele Natal foi mágico. Brilha até hoje na memória.

Depois cresci. Casei com uma família religiosa em que a árvore não fazia parte das tradições natalinas. Eu, ainda adolescente, segui a religiosidade deles. Durante meu casamento, até montei  uma árvore algumas vezes… mas não tinha o mesmo encanto. Eu sabia que, dentro daquele contexto, aquilo não era bem visto. E magia que é magia não se força — ela nasce.

E então chegou este ano, depois de 40 anos de casados, já não sigo a religião deles, descobri que Deus está dentro de nós e em cada ação, pensamentos, atitudes e  comportamentos.

Meu marido sugeriu: “Podíamos montar uma árvore de Natal.”

E algo dentro de mim despertou. Minha  terceira geração estará reunida antes do Natal — netos, bisneto, genros, filhos — e teremos surpresas para todos.

Ontem comprei a árvore. E, no meio dos embrulhos, senti aquele mesmo calorzinho do Natal da minha infância. A magia voltou.

Enchi os presentes com carinho, como quem coloca luz dentro de cada papel colorido.

Reunir minha família é um presente em si. Vejo, com muita clareza, o quanto Deus tem sido generoso conosco. Nem todos têm esse privilégio — e muitos, quando têm, deixam escapar pelos dedos.


Somos abençoados.

E nossa família inteira é abençoada.

Mary Marques



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