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02/03/26

41 anos de casados!

Quarenta e um anos de casamento não é só uma data… é uma travessia.

É ter escolhido a mesma pessoa milhares de vezes, nos dias fáceis e, principalmente, nos dias em que tudo parecia difícil demais.

41 anos é tempo suficiente para ver o amor sair do encantamento juvenil e virar decisão madura. 

É quando o “eu te amo” deixa de ser apenas sentimento e passa a ser atitude: permanecer, cuidar, perdoar, reconstruir.

É ter vivido fases. Sonhos começando. Contas para pagar. Filhos crescendo. Silêncios necessários. Conversas que doeram, mas fortaleceram. Risadas que viraram memória eterna. É olhar para trás e perceber que não foi um conto de fadas,  foi uma construção. 

E construção de verdade tem poeira, tem esforço, mas no final tem solidez.

Quarenta e um anos é entender que amar não é viver sem conflitos, é decidir que nenhum conflito vale mais do que a história construída.

É ter aprendido que o amor não é sobre perfeição. 

É sobre parceria. 

Sobre segurar a mão quando o mundo pesa. 

Sobre continuar acreditando mesmo quando a fase não ajuda. 

Sobre envelhecer juntos — e ainda assim se reconhecer nos olhos do outro.

Porque no fundo, casamento longo não é sobre “dar certo” por acaso. 

É sobre dois adultos que disseram: “vamos continuar”.

E continuar… por 41 anos… é coisa de gente forte.

Meu bem, que venham mais capítulos. Porque uma história assim não é passado, é legado!

Mary Marques



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18/02/26

Entre o Amor e os Limites

 Escrevo essa carta não para discutir o passado, mas para aliviar o meu coração.

Durante o seu crescimento, eu estive presente como pude e como soube. Cuidei, eduquei, apoiei, investi tempo, energia e amor. 

Fiz isso porque te amava — e continuo amando. 

Nunca foi obrigação. Sempre foi escolha.

Se em algum momento eu falhei, foi dentro das minhas limitações humanas, não por falta de amor. Quem cuida também erra. 

Quem ama também aprende.

Foi difícil perceber a distância entre nós e, principalmente, sentir que a imagem que você tem de mim não corresponde à intenção que sempre guiou minhas atitudes. 

Ainda assim, respeito o seu momento, sua fase e as influências que fazem parte da sua caminhada.

O que eu não posso fazer é aceitar ser vista apenas quando há necessidade material. 

Relações verdadeiras são construídas em presença, não em conveniência.

Eu não desejo conflito. Não desejo que você escolha lados. 

Só desejo que, um dia, você consiga olhar para nossa história com maturidade e equilíbrio, lembrando não apenas dos possíveis erros, mas também do cuidado, das renúncias e do carinho que existiram.

Meu amor por você não depende de proximidade, mas meu respeito por mim mesma depende de limites.

Se um dia quiser se aproximar de forma sincera, meu coração estará aberto.

Mas ele também estará em paz, independentemente disso.

Com amor,

🌿🌷🌿🌷🌿

Mary Marques



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16/01/26

Quando eu partir...

 Quando eu partir, não digas que me fui cedo. A vida não se mede em anos, mede-se em intensidade e  eu existi o bastante para ser inteira.

Ao longo da jornada, cruzamos risos que revelaram verdades, dores que depuraram o espírito e silêncios que, mesmo mudos, disseram tudo.

Os abraços, os gestos, os desabafos e as bênçãos, tudo isso foi o tecido invisível que costurou a minha presença neste mundo.

Quando eu partir, lembra-te de que nenhum dia foi desperdiçado. 

Vivi cada instante como quem sabe que o tempo é um mestre impiedoso, porém generoso com quem o honra.

E partirei grata, não pelos anos que tive, mas pela profundidade com que pude habitá-los.

Aliás eu te pergunto, participou de algum momento da minha existência?

Sentiu meu abraço caloroso ou até mesmo desabafou comigo?

Ou talvez ainda eu desabei com você?

Pois é, vivi a vida!

Mary Marques



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27/12/25

Dói quando a presença só chega quando a vida já virou silêncio.

Dói quando a presença só chega quando a vida já virou silêncio.

Há um vazio difícil de explicar quando percebemos

que, para nos ver vivos, é preciso quase implorar — negociar tempo, justificar sentimentos, pagar a distância.

Mas para a morte, não há obstáculos: não falta dinheiro, não falta esforço, não falta agenda.

A ausência, curiosamente, só pesa quando já não há mais quem a sinta.

Isso não fala sobre amor inexistente, mas sobre prioridades confusas. Muitos só entendem o valor da presença quando ela já não pode mais ser entregue.

A morte impõe uma solenidade que a vida, injustamente, não recebe.

Como se o cotidiano fosse eterno e o adeus, urgente.

O pensamento machuca porque revela uma verdade

incômoda: amar vivo exige escolha, renúncia, responsabilidade.

Honrar os mortos é mais simples — não exige convivência, nem paciência, nem entrega diária.

Talvez a maior tragédia não seja faltar ao enterro, mas faltar à vida enquanto ela ainda chama.

Porque no fim, o que mais dói não é quem partiu… é quem ficou esperando por quem ainda podia ter vindo.

 Mary Marques




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18/12/25

Será que a transformação só acontece quando a exaustão chega?

 Às vezes me pergunto se o ser humano precisa mesmo levar o corpo ao limite para conseguir mudar a mente.

Será que a transformação só acontece quando a exaustão chega, quando o cansaço cala o pensamento crítico e o corpo pede arrego?

Existe uma linha tênue — e perigosa — entre superação e quebra.

Quando o corpo está exausto, a mente fica vulnerável. E mente vulnerável é terreno fértil para ideias prontas, discursos sedutores e “verdades” empacotadas como solução rápida. Não é evolução… é rendição disfarçada de progresso.

Muitos movimentos que surgem como “moda” vendem a ideia de que o sofrimento extremo purifica, acorda, liberta. Mas até que ponto isso não é só manipulação elegante?

Quando alguém está no limite, ela não escolhe — ela aceita. Não reflete — absorve. Não decide — segue.

A verdadeira mudança não deveria nascer do colapso, mas da consciência.

Não do corpo quebrado, mas da mente desperta.

Não da pressão coletiva, mas do silêncio interno que questiona.

Transformação real não precisa gritar, nem humilhar o corpo para existir.

Ela acontece quando há lucidez, autonomia e coragem de pensar por conta própria — mesmo indo contra a maré.

Talvez o maior ato revolucionário hoje não seja aguentar mais…

Mas pensar melhor.

Mary Marques



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