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01/09/26

Quando nada é suficiente...

Às vezes, convivemos com alguém que nunca parece satisfeito com a vida que tem. Muda os planos, procura novas oportunidades, imagina que, se tivesse escolhido diferente, estaria mais feliz. E assim vai passando de uma vontade para outra, de uma decisão para outra, sempre acreditando que a felicidade está logo depois da próxima escolha.

Mas existe uma armadilha nisso tudo: quando a insatisfação mora dentro de nós, nenhum lugar, nenhuma conquista ou mudança consegue preenchê-la por muito tempo.

Talvez o problema não esteja nas escolhas que foram feitas, mas na dificuldade de aceitar que toda escolha traz perdas, renúncias e imperfeições. A vida não é um catálogo onde podemos devolver aquilo que não saiu exatamente como imaginávamos.

E quem está ao lado dessa pessoa também se cansa.

Porque amar alguém que nunca está satisfeito pode fazer com que você sinta que nada do que construiu junto é suficiente. A casa poderia ser outra. O trabalho poderia ser outro. O dinheiro poderia ser mais. A vida poderia ter seguido outro caminho. E, enquanto um vive pensando no que poderia ter sido, o outro começa a perceber tudo aquilo que está deixando de ser vivido no presente.

Existe uma diferença enorme entre querer crescer e nunca conseguir agradecer pelo que já conquistou.

Buscar algo melhor é saudável. Ter sonhos é maravilhoso. O problema começa quando a busca pelo amanhã rouba a capacidade de viver o hoje.

Talvez, depois de tantos anos caminhando juntos, seja importante compreender que felicidade não é encontrar a escolha perfeita. É aprender a fazer as pazes com as escolhas que fizemos e construir, a partir delas, algo que tenha significado.

Porque sempre haverá uma vida que poderíamos ter vivido.

Mas existe apenas uma que estamos vivendo agora.

E talvez a verdadeira maturidade seja olhar para essa vida com seus erros, acertos, perdas, conquistas, limitações e histórias  e dizer:

"Não foi exatamente como eu imaginei. Mas é a minha vida. E eu ainda posso escolher o que fazer com ela."

E para quem está ao lado de alguém assim, talvez exista também uma lição: você pode amar, apoiar e caminhar junto, mas não pode carregar a felicidade de outra pessoa nas costas.

Cada um precisa aprender a fazer as pazes consigo mesmo.

Porque, quando a pessoa não encontra paz dentro de si, pode passar a vida inteira mudando de caminho… e continuar chegando ao mesmo lugar.

Mary Marques


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31/08/26

Casamento não é ausência de dificuldades...

 Casamento não é encontrar alguém que torne a vida perfeita. É encontrar alguém com quem você esteja disposto a enfrentar a vida como ela realmente é.

Porque haverá dias de riso, mas também haverá dias de silêncio. Haverá conquistas, mas também haverá preocupações, perdas, problemas financeiros, doenças, diferenças de opinião e momentos em que um dos dois simplesmente não terá forças.

E é justamente nesses momentos que descobrimos o verdadeiro significado de estar casado.

Amar não é apenas segurar a mão quando tudo está bem. É permanecer quando a vida aperta. É olhar para o outro e dizer: “Eu não tenho todas as respostas, mas nós vamos atravessar isso juntos.”

E existe algo ainda mais bonito: quando a família entende que casamento não é apenas a união de duas pessoas, mas também uma rede de apoio. Filhos, pais, irmãos e aqueles que amamos podem ser o colo quando o casal precisa respirar, a palavra de conforto quando tudo parece pesado e a presença que lembra que ninguém precisa carregar o mundo sozinho.

Mas família também precisa compreender que apoiar não significa viver a vida pelo casal. Às vezes, o maior gesto de amor é estar por perto sem invadir, oferecer ajuda sem julgar e respeitar as escolhas de quem está tentando construir sua própria história.

Um casamento verdadeiro não é feito apenas de grandes declarações de amor. Ele é construído nas pequenas coisas: no café preparado, na preocupação quando o outro está doente, na paciência depois de uma discussão, no abraço silencioso, na conta paga juntos, na dificuldade dividida e naquele olhar que diz: “Eu sei que está difícil, mas estou aqui.”

Talvez seja por isso que alguns casamentos ficam mais bonitos com o passar dos anos.

Porque depois de tantas tempestades, o amor deixa de ser apenas paixão e passa a ser companheirismo, cumplicidade, respeito e escolha.

No fim das contas, casamento não é sobre duas pessoas que nunca enfrentam dificuldades.

É sobre duas pessoas que, mesmo enfrentando dificuldades, continuam escolhendo uma à outra.

E quando existe amor, respeito e uma família que sabe apoiar, até os dias mais difíceis podem se transformar em capítulos de uma história que valeu a pena viver.

Mary Marques



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15/08/26

A Divina Colônia...

 Quando a fé é usada para ferir

Há histórias que nos revoltam não apenas pelo que aconteceu, mas pelo número de pessoas que poderiam ter sido salvas se alguém tivesse tido coragem de dizer: “Isso está errado.”

Assistir a histórias como a de Paul Schäfer nos faz pensar sobre o poder que um homem pode exercer sobre tantas pessoas quando consegue transformar religião, medo e autoridade em ferramentas de controle. E talvez uma das partes mais assustadoras seja perceber que a manipulação nem sempre começa com violência. Às vezes começa com uma promessa: a promessa de salvação, de proteção, de pertencimento, de um lugar onde finalmente alguém se sente acolhido.

E, pouco a pouco, a pessoa deixa de questionar.

Quando a fé é usada para controlar, o nome de Deus pode acabar sendo colocado justamente onde Deus jamais deveria estar: ao lado do medo, da humilhação, do abuso e do sofrimento.

E então vem uma pergunta que dói:

Onde estava a justiça?

Porque a justiça dos homens, infelizmente, muitas vezes chega tarde. Às vezes chega incompleta. Às vezes nem chega.

E enquanto os processos terminam, os culpados morrem ou escapam, as vítimas continuam vivendo com aquilo que lhes foi feito.

Algumas carregam depressão. Outras carregam culpa. Outras passam a vida tentando entender por que não foram protegidas. Algumas perdem a capacidade de confiar. Algumas perdem a própria vontade de viver.

E é impossível não pensar nos traumas que atravessam gerações.

Por isso, quando alguém fala em “justiça de Deus”, eu consigo compreender de onde nasce essa esperança.

Não necessariamente como uma promessa de que algum dia veremos o culpado sendo castigado diante dos nossos olhos. Mas como a esperança de que o sofrimento de uma vítima não foi invisível.

Talvez seja essa a única justiça que muitas pessoas conseguem agarrar quando a justiça humana falhou: acreditar que existe algo maior que viu cada lágrima, cada noite de medo, cada pedido de socorro que ninguém ouviu.

Porque há dores que não cabem em uma sentença judicial.

Há feridas que não desaparecem quando um processo termina.

E há histórias que jamais poderão ser desfeitas.

Mas existe algo que precisamos aprender: fé não deveria produzir medo de Deus; deveria produzir liberdade.

Religião não deveria exigir que alguém silencie sua dor para provar sua fé.

Nenhum líder deveria ser colocado acima da consciência de uma pessoa.

Nenhum homem deveria usar o nome de Deus para exigir obediência cega.

E nenhuma criança deveria aprender que sofrer em silêncio é uma forma de agradar a Deus.

Talvez uma das maiores formas de honrar quem sofreu seja justamente não permitir que essas histórias sejam esquecidas.

Porque falar sobre elas é lembrar que a fé precisa vir acompanhada de consciência. Que espiritualidade não elimina o pensamento crítico. Que bondade não significa obediência cega. E que ninguém — absolutamente ninguém — deveria receber poder ilimitado simplesmente porque diz falar em nome de Deus.

No fim, talvez eu não consiga provar que existe uma justiça divina.

Mas consigo entender por que quem sofreu precisa acreditar nela.

Porque quando a justiça dos homens falha, a esperança é muitas vezes a última coisa que resta.

E talvez acreditar que Deus viu aquilo que ninguém viu seja, para algumas vítimas, a maneira de continuar vivendo.

Não para esquecer.

Não para justificar.

Mas para dizer a si mesmas:

“O que fizeram comigo não define quem eu sou. Minha dor foi real. Minha história importa. E, mesmo que os homens tenham falhado comigo, eu ainda posso escolher não deixar que o mal tenha a última palavra.”

Mary Marques- sobre a série A Divina Colônia



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11/08/26

 Logo farei 57 anos e, com o passar do tempo, aprendi que as pessoas que desejam fazer parte da minha vida precisam querer estar nela de verdade.

Já não faço questão de quem só esteve presente porque eu insisti, convidei, procurei ou mantive por perto. Já não convido quem não demonstra vontade de estar. E também já não me incomodo com o que dizem a meu respeito, mesmo quando, vez ou outra, fico sabendo.

Não imploro mais por atenção, amor, carinho, gratidão ou presença. O que é verdadeiro não precisa ser implorado.

Hoje, respiro mais leve. Vivo em paz. Meus braços continuam abertos, mas agora para aqueles que realmente querem estar, que fazem questão, que chegam por amor e permanecem por vontade.

Tenho muito orgulho da minha caminhada. Ela não foi perfeita. Teve tropeços, lágrimas, raiva, decepções e indignação. Teve momentos em que precisei me reconstruir e seguir mesmo sem saber exatamente como.

Mas, acima de tudo, teve amor.
Ah… e como teve amor!

Aos 57, não quero mais quantidade. Quero verdade. Quero reciprocidade. Quero presença que não precise ser cobrada.

E se alguém quiser caminhar comigo, que venha por escolha, por carinho e por amor.
Porque eu já aprendi: quem realmente quer estar, encontra um jeito de estar.

Mary Marques



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23/07/26

Marido furou a orelha!!!

 Hoje não foi apenas a orelha que ganhou um pequeno furo. Hoje foi a liberdade que encontrou espaço para existir.

Durante a vida, aprendemos que, muitas vezes, precisamos nos encaixar nas expectativas da família, da sociedade ou até mesmo da nossa crença. E, sem perceber, deixamos de fazer pequenas coisas por medo do que os outros vão pensar. Mas chega um momento em que entendemos que maturidade não é viver para agradar; é viver em paz com a própria consciência.

Um simples brinco não muda o caráter de ninguém. Não torna alguém melhor ou pior, mais digno ou menos digno. O que realmente define uma pessoa é a honestidade, o respeito, o amor ao próximo e a forma como ela trata as pessoas.

O preconceito sempre existirá para quem escolhe ser diferente. Haverá quem critique, quem julgue e quem use a religião ou as tradições para condenar aquilo que não compreende. Mas a verdadeira fé não se mede pela aparência. Ela se revela no coração, nas atitudes e na capacidade de amar sem condenar.

Que este pequeno gesto seja um lembrete de que nunca é tarde para ser quem realmente somos. A liberdade começa nas pequenas escolhas e floresce quando deixamos de carregar o peso das expectativas alheias.

Que cada olhar de julgamento encontre um coração seguro de quem sabe que viver a própria verdade, com respeito e amor, é um dos maiores atos de coragem que alguém pode realizar.

Parabéns meu bem querer, amo vc demais!

Mary Marques






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