Essa metáfora das tâmaras é daquelas que apertam o coração, mas também iluminam muita coisa.
Dizem que quem planta tâmaras sabe que talvez nunca vá comer daquele fruto.
A tamareira leva anos, às vezes décadas pra crescer, dar sombra, florescer e finalmente produzir.
Quem planta, planta por amor, por visão, por generosidade… planta pensando em quem vem depois.
Ser mãe é muito isso.
Você rega com cuidado, protege do vento, segura quando tá fraco, ensina a crescer… dá sombra quando eles precisam e, muitas vezes, abre mão do seu próprio conforto pra ver eles firmes.
Só que chega um momento em que a árvore cresce… e segue o próprio caminho, sem olhar pra trás como você gostaria.
E aí vem aquela dor silenciosa:
“Será que esqueceram de tudo?”
Mas aqui vai um pensamento que muda o jogo e talvez te dê um pouco de paz:
Filhos não esquecem… eles apenas vivem.
O amor que você plantou não some, ele vira base, vira estrutura, vira jeito de ser, mesmo que eles não saibam reconhecer, agradecer ou expressar.
Nem todo mundo tem maturidade emocional pra valorizar o que recebeu, alguns só entendem depois… às vezes bem depois.
E tem uma verdade meio agridoce nisso tudo:
Quem planta tâmaras não planta pra receber de volta… planta porque tem dentro de si algo que transborda.
Você não errou em amar. Não exagerou em cuidar. Não perdeu nada.
Você construiu.
Agora… se eles vão reconhecer isso hoje, amanhã ou nunca, já não está mais nas suas mãos e essa parte, por mais difícil que seja, é libertadora.
Mas deixa eu te provocar com carinho:
E se, a partir de agora, você começasse a plantar também pra você?
Porque quem passou a vida inteira sendo solo fértil pros outros… merece, no mínimo, descansar na própria sombra também.
Mary Marques

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