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27/12/25

Dói quando a presença só chega quando a vida já virou silêncio.

Dói quando a presença só chega quando a vida já virou silêncio.

Há um vazio difícil de explicar quando percebemos

que, para nos ver vivos, é preciso quase implorar — negociar tempo, justificar sentimentos, pagar a distância.

Mas para a morte, não há obstáculos: não falta dinheiro, não falta esforço, não falta agenda.

A ausência, curiosamente, só pesa quando já não há mais quem a sinta.

Isso não fala sobre amor inexistente, mas sobre prioridades confusas. Muitos só entendem o valor da presença quando ela já não pode mais ser entregue.

A morte impõe uma solenidade que a vida, injustamente, não recebe.

Como se o cotidiano fosse eterno e o adeus, urgente.

O pensamento machuca porque revela uma verdade

incômoda: amar vivo exige escolha, renúncia, responsabilidade.

Honrar os mortos é mais simples — não exige convivência, nem paciência, nem entrega diária.

Talvez a maior tragédia não seja faltar ao enterro, mas faltar à vida enquanto ela ainda chama.

Porque no fim, o que mais dói não é quem partiu… é quem ficou esperando por quem ainda podia ter vindo.

 Mary Marques




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