Às vezes me pergunto se o ser humano precisa mesmo levar o corpo ao limite para conseguir mudar a mente.
Será que a transformação só acontece quando a exaustão chega, quando o cansaço cala o pensamento crítico e o corpo pede arrego?
Existe uma linha tênue — e perigosa — entre superação e quebra.
Quando o corpo está exausto, a mente fica vulnerável. E mente vulnerável é terreno fértil para ideias prontas, discursos sedutores e “verdades” empacotadas como solução rápida. Não é evolução… é rendição disfarçada de progresso.
Muitos movimentos que surgem como “moda” vendem a ideia de que o sofrimento extremo purifica, acorda, liberta. Mas até que ponto isso não é só manipulação elegante?
Quando alguém está no limite, ela não escolhe — ela aceita. Não reflete — absorve. Não decide — segue.
A verdadeira mudança não deveria nascer do colapso, mas da consciência.
Não do corpo quebrado, mas da mente desperta.
Não da pressão coletiva, mas do silêncio interno que questiona.
Transformação real não precisa gritar, nem humilhar o corpo para existir.
Ela acontece quando há lucidez, autonomia e coragem de pensar por conta própria — mesmo indo contra a maré.
Talvez o maior ato revolucionário hoje não seja aguentar mais…
Mas pensar melhor.
Mary Marques

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